Desde meus 16 anos quando aprendi um pouco sobre cultura Inca nas aulas de História, fiquei encantando com a riqueza cultural desse povo e os mistérios relacionados à existência de Machu Picchu. Desde então, conhecer o Peru e o Machu Picchu tornaram-se um dos meus sonhos de vida, o qual fui realizar apenas nos últimos dias de de 2010 no auge dos meus 26 anos com mais dois amigos da mesma idade que toparam embarcar nessa aventura.
Como existe muita informação sobre essas viagens na internet, principalmente, em fóruns (exemplos aqui, aqui, aqui e aqui), mas muitos dos relatos são antigos ou a informação está completamente desorganizada, achei que seria legal da minha parte compartilhar com vocês minha experiência de forma estruturada para que vocês possam se planejar e entender um pouco melhor o que lhes espera.
Antes de começar, é importante avisá-los que eu escrevi muito, mas muito mesmo, sem dar muito importância que os textos poderiam se tornar extensos demais e vocês ficassem se saco cheio de ler a história completa. Achei que seria importante dar o mínimo dos detalhes, pois no final eles fazem a diferença. Não fiz correção ortográfica, caso encontre erros de concordância ou gramaticais, me avisem. Não trate o texto como palavra final, se você possui alguma dica que possa complementar o que foi escrito, deixe seu comentário no post. Afinal, a internet é de todos. Para finalizar, é importante dizer que o blog estará sempre em construção, vou complementando com minhas fotos, criando os mapas com os lugares que cito no texto e por aí vai.
Chega de blá, blá, blá... certo? Todo planejamento de viagem, começa com um roteiro e, geralmente, quando alguém decide fazer essa viagem começa pela Bolívia fazendo o trajeto do Trem da Morte. Como meu tempo é precioso e fui dois dias antes do Natal e há poucos do Ano Novo, decidi começar por Cusco que é onde está a festa. Se você gosta de festa, como eu, pode passar 10 dias em Cusco fácil, mas pode-se facilmente diminuir esse tempo, conforme sugestão abaixo:
Meu roteiro:
23/12 > 28/12 - Cuzco (10 dias)
28/12 - Cuzco (3h taxi) Ollantaytambo (2h - trem) Aguas Calientes
29/12 - Aguas Calientes (30min bus) Machu Picchu (30min bus) Aguas Calientes (2h - trem) Ollantaytambo (3h taxi) Cuzco
30/12 > 01/01 - Cuzco (5h bus) Copacabana
02/01 - Copacabana (1h30 barco) Isla del Sol
03/01 - Isla del Sol (1h30 barco) Copacabana (5h bus) La Paz
04/ 01 - La Paz
05/01 - La Paz (12h bus) Uyuni
06/01 - Salar de Uyuni
07/01 - Salar de Uyuni
08/01 - Salar de Uyuni (12h bus) La Paz
09/01 - La Paz - Sta. Cruz de La Sierra - São Paulo
Introdução
Preparativos
Documentos
Para entrar no Peru e na Bolívia não é necessário levar Passaporte, basta apresentar o seu R.G. Por via das dúvidas e para aumentar o número de carimbos no meu documento, levei o passaporte. Ele ficava sempre em casa e quando estava estabelecido em algum lugar e saia para passear levava comigo só uma cópia (xerox simples), para qualquer eventualidade. Além disso, é capaz que você encontre na internet algum relato sobre o Certificado Internacional de Febre Amarela que eu tirei no Aeroporto de Congonhas, mas em momento algum da viagem solicitaram esse documento para mim.
Condicionamento Físico
Se você não estiver acostumado com caminhadas, carregar peso ou atividades que exijam um esforço maior do que os famosos levantamentos de garfo e copo, prepare-se alguns meses antes da viagem. Faça mais caminhadas, ande de bike, dance ou procure algo que melhore seu condicionamento. Não sou atleta, sou fumante (1/2 maço por dia) e aguentei umas subidas de matar, como é o caso de Waynapicchu (PER) e Isla del Sol (BOL). Aliás, subir Waynna Picchu é foda. Quando você acha que já deu, tem mais uns belos 500m para caminhar com degraus minúsculos e não tem nem há nem uma plaquinha dizendo que você precisa estar preparado. Então... lembre-se desse tópico, largue o sedentarismo e faça exercício porque, de qualquer maneira, mal não irá lhe fazer.
Soroche (Mal de Atitude)
Antes de mais nada esteja avisado que as principais cidades que você irá visitar estão há cerca de 2.800 metros acima do nível do mar. Para quem não sabe, isso pode ocasionar Soroche (Mal de Atitude) que ocorre graças a baixa pressão de oxigênio (normal em grandes atitudes). Os sintomas mais comuns são enjôo, tontura, má digestão, vômitos, sensação de cansaço, falta de ar, diarréia, dor de cabeça, coração acelerado e sangramentos no nariz. Não há nada que você possa fazer para prevenir isso, apenas busque descansar um ou dois dias quando chegar e antes de praticar atividades intensas nesses lugares, abuse dos chás de coca ou até mesmo masque folhas de coca (amargo pra cacete!). Com o tempo você acostuma, mas ainda vai ficar cansado quando subir uma rua um pouco mais inclinada. De qualquer maneira, tive amigos que nem sentiram a diferença. Por outro lado, eu acoredei no primeiro dia com uma dor de cabeça insuportável que passou na manhã seguinte. Não se assuste, esteja apenas preparado e siga os conselhos deixados aqui. Tudo vai acabar muito bem.
Equipamento
Não pense que seu All-Star irá te ajudar na viagem. Ele pode até ser descolado nas grandes cidades, mas não vai te ajudar nas trilhas e atividades mais radicais. Fora a sua roupa bonitinha para paquerar em Cuzco, separe umas camisas dry-fit para as trilhas (elas ajudam a evaporizar o suor), um par de botas impermeável (Timberland e Quechua dão conta do recado), chapéu (o Sol vai te cozinhar e você nem vai perceber), calças confortáveis (tudo menos moleton), Anorak (se você não sabe como se vestir em lugares frios, conheça o esquema de três peles aqui), iPod, mochila de ataque, celular com wi-fi (será seu computador em todos os lugares), doleira (para manter seus documentos e o grosso do dinheiro protegidos e fora de vista), lanterna (aquelas que você prende na cabeça) protetor solar, repelente e o básico para toda viagem como alguns remédios, necessáire, câmera com duas baterias extras e muito espaço para fotos, toalha, óculos escuros, etc... Uma coisa te garanto, leve menos roupa do que você acha que vai usar. O esquema é você andar com pouco peso na mala e lavar as roupas pelas cidades, o que não falta nesses lugares é lavanderia. É certo que não vão lavar sua roupa com Confort ou passar como a sua mãe ou empregada faz, mas você está fazendo um MOCHILÃO, esqueça sua vida de mimos por alguns dias.
Dinheiro
Se você é brasileiro, você vai achar o Peru barato. Na Bolívia, você vai se sentir o rei da cocada preta. Em ambos os países os principais passeios turístiscos podem ser pagos em dólar ou moeda local. No caso do Peru a moeda local é o Nuevo Sol (S/.) e na Bolívia, Bolivianos (Bs). Na época que visitei os dois países, um dólar equivalia a 2,70 Soles e *PASMEM* 6,85 Bolivianos. E não imagine que os preços das coisas seja absurdo na Bolívia, as coisas são realmente muito baratas. Dentro do roteiro que montei, sem contar as passagens aéreas e sem gastar com hospedagem nos meus dez primeiros dias de Cuzco, gastei US$ 933. Se eu quisesse economizar ou apertar o orçamento, acho que faria a viagem com até US$ 700.
Hospedagem
Os dez primeiros dias da minha viagem eu passei em Cuzco e como participo do Couchsurfing, não gastei nada para me hospedar. Se você não conhece o Couchsurfing, cadastre-se e comece a participar da comunidade, você vai se surpreender com pessoas que estão dispostas a te hospedar em suas casas em qualquer lugar do mundo DE GRAÇA. De qualquer maneira, existem milhares de possibilidades para se hospedar no roteiro que vou passar para vocês, basta perguntar para taxistas ou rodear os principais centros turísticos. Lembrando apenas que existem hotéis e HoStels. A segunda categoria é mais barata, possui menos serviços, mas a probabilidade de encontrar pessoas jovens e aventureiras é mais alta. Além disso, alguns hostels possuem parcerias com agências de viagens e baladas o que pode te garantir alguns descontos e bastante farra.
Cuzco - Peru
Para chegar em Cuzco de avião, você precisará fazer escala em Lima. Só saí do aeroporto de Lima para fumar um cigarro e achei tudo muito chique por lá. Tem Starbucks, McDonald´s e um monte de loja lá dentro. Se seu vôo demorar, dá para esperar sossegado. No meu caso durou apenas uma hora, então saí correndo para pegar o outro avião. Dentro da possibilidade, pegue um assento perto da janela para Cuzco, você vai ver uma vista incrível da cidade com o aeroporto incrustado no meio das montanhas, é uma vista impressionante. O aeroporto de Cuzco é bem simplesinho, cheio de agências e agentes de turismo tentando te emboscar em algum plano de viagem para o Machu Picchu ou outros destinos turísticos. Ignore-os. Troque pouco dinheiro, 20 dólares é o suficiente para você pegar um taxi e ir para Plaza de Armas, o principal reduto turístico da cidade. Dica: Saia do espaço onde ficam os taxistas oficiais do aeroporto, eles cobram cerca de três vezes mais do que aqueles que ficam do lado de fora das grades de metal (mas ainda dentro do aeroporto). A Plaza de Armas fica a uns 12km do aeroporto e lá você consegue boas opções de hostels por preços razoáveis, principalmente na rua ao lado da Catedral. Muitos mochileiros ficam na rede de hostels Loki por ser uma das mais conhecidas, mas fica um pouco longe da Plaza de Armas e aconselho fortemente que você fica na rua da pedra de 12 ângulos (ao lado da Catedral).
Visualizar Cuzco em um mapa maior
Mapa de Cuzco, Peru
Depois de estabelecido, vá dar uma voltinha na Plaza de Armas e leve uma quantia maior de dinheiro para trocar dependendo de quanto tempo você for ficar em Cuzco. Em todos os lados vocês verão lojas com placas amarelas "money exchange". Não tive problemas em nenhuma delas e usei várias durante minha estadia. Verifique se eles carimbam as notas ao te entregar o dinheiro. O câmbio na Plaza de Armas é infinatamente melhor do que o do aeroporto. Tudo que você precisar fazer em Cuzco está na Plaza de Armas. Restaurantes, baladas, agências de viagem, lojas com acessórios típicos, joalherias, caixas automáticos, etc... De bate e pronto, sugiro que você coma no restaurante "Inkanto" que possui um ambiente um pouco mais sofisticado, com uma pasta negra com camarão apimentado que é coisa de outro mundo. Uma delícia. As escadas da Catedral também é um bom lugar para sentar e curtir a atmosfera do lugar. Se ainda não tiver fechado nenhum pacote turístico, procure informações nas agências de viagem. Sempre vá em mais de uma. Todas oferecem exatamente os mesmos passeios e só variam o preço. Se você chorar bastante consegue pagar preço de estudante sem a carteirinha.
Plaza de Armas
Provavelmente após você dar uma voltinha na Plaza de Armas você vai entender que as pessoas estão preparadas para te abordar para entrar em um restaurante, entrar em alguma loja, vender artesanato, pinturas, ponchos e gorros. Ou seja, de tudo um pouco. Está na hora de esbanjar seu espanhol com a frase que você mais vai usar em Cuzco - "No Gracias". Tinha até camiseta para vender com esses dizeres. Todavia, os cusqueños já estão acostumados e insistem na abordagem pergunta de que país você vêm e tal. A melhor estratégia nessa hora é evitar o "No Gracias" e fingir compromisso usando o "Más tarde". Isso, geralmente, acaba com a discussão. Um ponto engraçado é a oferta de massagens nas ruas. É normal você passar e mulheres oferecerem "massage?". Demorou para eu sacar que não era aquelas com final feliz. Esse é um serviço normal em uma cidade onde as pessoas vão e voltam de caminhadas pesadas e outras atividades radicais. Se você estiver precisando de uma, procure na rua de baixo uma casa que oferece massagem com duas massagistas para você. Eu não fui, mas deve ser bom. E lembre-se: qualquer coisa que está sendo vendida nessa região e não possui etiqueta de preço pode ter seu preço negociado. Nunca compre uma coisa pelo primeiro preço, negocie tudo.
Se você não tem nada demais para fazer no primeiro dia, procure as agências de turismo para ver preços dos pacotes turísticos. Vou assumir que se você está em Cuzco que ir para o Machu Picchu. Para ir para lá existem diversas opções 1) por trilha com alguma agência autorizada (Salkantay (4D/3N), Ollantaytambo (5D/4N), Inka Jungle Trek (4D/3N) e a famosa Trilha Inca (4D/3N), além de outras variações com menos dias) ou você pode 2) alugar um carro e ir de Cuzco até Sta. Tereza para então pegar uma caminhada de 2 horas até Aguas Calientes ou 3) comprar uma passagem de trem de Ollantaytambo para Aguas Calientes e fazer o passeio sozinho e sem perrengue. Se você preferir a última opção, na Av. del Sol tem uma agência da Inca Rail (que é chilena e não peruana) e o trem executivo com direito a Snacks e duração de passeio de 2h (ida e volta) custa US$ 80. Recomendadíssimo. Compre seu bilhete para o dia que deseja ir com o trem de ida para aproximadamente às 11h30 e de volta para às 19h30 do dia posterior. Depois, volte a curtir Cuzco.
Depois de hospedado, bilhete para o trem de Aguas Calientes comprado (não precisa comprar o bilhete de entrada no Parque do Machu Picchu, isso você vai comprar em Aguas Calientes) e conhecer um pouco a Plaza de Armas, recomendo que você vá conhecer o Mercado Central. Eu fui conhecer na véspera de Natal e é uma das coisas mais loucas que já vi na vida. Primeiro, abomine seu conceito de mercado. O negócio é tipo uma feira dentro de um galpão gigante. Só que além de vender alimentos, verduras, flores e acessórios, você encontra umas coisas bem peculiares por lá como rãs vivas, cabeças de porco e coisas que você não ousa nem citar um nome. O mais legal é que vendem peiote e ayuhasca como se fosse banana lá. Procure o homem dos cactus por lá. Ele tem peiote no seu estado natural, semi-preparado em pó ou bolinhas e preparado em uma garrafinha pet de 600ml de Coca-Cola e se você quiser trazer para seu país eles transformam as bolinhas de peiote em balinhas. Assumir esse risco é problema seu. Em Cuzco existem rituais e lugares específicos para você usar essas coisas. Informe-se na cidade. De preferência, não com policiais.
Chegou a noite! Aí que a coisa começa a esquentar. De dia você já deu sua voltinha na cidade, já viu mil coisas diferentes e agora você quer curtir a vida adoidado. Você está com sorte porque a vida noturna de Cuzco é fenomenal. Ao redor da Plaza de Armas estão as principais baladas da cidade. De quebra, recomendo Mama Africa, Inka Team e Mithology. Em aspectos arquitetônicos elas não tem nada demais, mas em questão de balada pesada todas são fenomenais. A primeira dica refere-se ao preço da balada - nada. Menos se for de sábado quando elas costumam estar cheias e cobram alguns soles de entrada. Isso pode ser facilmente evitado se você falar para os seguranças que você é brasileiro. É incrível, os caras te deixam entrar numa boa. Eles amam brasileiros e se você for mulher brasileira então... mais fácil. Se estiver com namorado entre na frente e arraste o namorado em seguida.
Uma vez lá dentro, repare que 80% da balada é de gringo, enxendo a cara e dançando sabe-se lá que tipo de dança. Entre no clima, troque olhares, converse com as pessoas, interaja, faça amizades, peça pisco sour ou cusquenã de 1 litro, se você for legal o bastante e interessar alguém vai ganhar uns beijinhos. Tome cuidado com britcheras(os). Segundo o pessoal de lá são as pessoas que ficam em cima dos gringos para conseguir maneiras de viver em outro país. De qualquer maneira, não são todos assim, fique apenas esperto se tentarem te arrastar para fora. Proteja-se e busque não cair em armadas. No ano novo estávamos com flores (cravos e uma rosa) e damos para quase todas as mulheres da balada. Acho que nunca fizemos tanto sucesso com mulheres. Identifique suas origens, ande com um broche ou uma bandeira do seu país. Brasileiros são bem vistos e conhecidos como um povo alegre. Tenha sempre três soles separados no bolso, dependendo de onde você estiver hospedado a maioria dos taxis cobra três soles para te levar para os arredores da praça. Dica de negociação: Pare o taxi, diga para onde vocÊ quer ir e termine com um "tres soles?".
Indo para o Machu Picchu
Acorde às 6h, deixe sua mala maior no seu hostel mesmo, você vai passar uma noite fora e depois voltar para Cuzco. O ideal é ficar com uma mala menor para passar apenas uma noite em Aguas Calientes e depois de visitar o Machu Picchu você volta no mesmo dia. Com isso em mente, vá para a Av. El Sol e pergunte pela Calle Pavitos. É de lá que saem os ônibus e taxis para Ollantaytambo. Ao virar na rua você já vai ver placas com o dizeres "Ollantaytambo". Foda-se o ônibus. Pague um taxi por 40 soles e prepare-se para uma viagem de 3h. Deixe sua câmera na mão, você passa por umas três cidades com uma boa chance de tirar ótimas fotos no caminho. Você não vai ver "Ollantaytambo" em nenhuma placa durante o caminho, não se preocupe, você chega lá. Ao chegar em Ollantaytambo o taxista vai te deixar na estação de trem. Se não estiver no horário ainda, veja as lojinhas, tome um chá de coca e aconselho que você compre um bastão dobrável para auxiliá-lo a caminhar. Entre na estação, tire algumas fotos se quiser e espere seu trem. Se você escolheu o executivo, vai se maravilhar com o luxo do vagão. O negócio tem serviço de snacks, janelas na parte de cima, banco de couro e é um passeio incrível no meio de montanhas incríveis da região. Se possível, busque ficar do lado esquerdo do vagão onde a vista é melhor e é mais fácil tirar fotos sem incomodar os outros.
Aguas Calientes
Chegando em Aguas Calientes, saia da estação e faça caminho entre as tendas cheias de artigos turísticos sobre a região e, principalmente, Machu Picchu. O negócio parece um labirinto, mas quando você ver o rio e a ponte é exatamente para lá que você tem que ir. Aguas Calientes tem umas três ruas, duas paralelas que sobem e descem e outra que os ônibus fazem caminho para o Machu Picchu. Praticamente tudo é região turística ali, escolha um hostel (ficamos em um por 15 soles), mas preste atenção que o check-out é às 9h, mas isso não será problema porque amanhã você vai ter que acordas às 3h (já te explico o por quê). Depois que conseguir hospedagem, vá para o Centro de Cultura e compre as entradas para o Machu Picchi (cerca de 150 soles), depois vá para a rua que saem os ônibus e já compre as passagens para amanhã (US$ 15). Muito bem, se você seguiu meu roteiro chegou em Aguas Calientes mais ou menos às 13h e agora você vai ter que ficar enrolando na cidade até dormir. Não tem nada demais para fazer. Como bons brasileiros, vimos qual dos bares da praça vendiam cerveja mais barato, pegamos uma garrafa e ficamos sentados na praça mesmo tomando uma. Faça amizade com as pessoas que trabalham nos bares, eles rendem um bom papo. Se você fizer o mesmo que a gente não se assuste com o prefeito tirando fotos do seu celular V3 de vocês. É exatamente esse tipo de atitude que ele não quer na cidade. Seja simpático, faça pose e levante seu copo de cerveja. Se depender dos brasileiros isso vai continuar acontecendo por um bom tempo. Coma, beba e vá dormir. Aqui não é como Cuzco, todos vão dormir cedo para ir para o Machu Picchu no outro dia.
Machu Picchu
Acorde às 3h da manhã. Por quê? Para subir Waynapicchu, a montanha que fica logo a frente do Machu Picchu em qualquer foto tirada de lá, você precisa ser um dos primeiros 400 a entrar no parque. Passando esse número, já era. Você poderá conhecer outros lugares bacanas do Parque, mas Waynapicchu é mágico e o sabor de saber que você é uma das 400 pessoas que podem entrar lá é incrível, vale o esforço. Tome seu banho, se arrume, compre água, lanches, salgadinhos e saia para a fila de ônibus. Se você chegar lá às 4h, já terão umas 50 pessoas na fila. Leve comida, os ônibus saem apenas às 5h (na teoria). Se você estiver na pegada pode ir andando, mas esteja avisado que é uma bela de uma subida. Chegando no parque, corre para a fila para garantir seu carimbo para Waynapichu. Você pode escolher entre duas turmas (a das 7h ou das 9h), prefira a segunda opção para tirar fotos do Machu Picchu quando ainda não chegar a avalanche de turistas. Na fila existem diversos guias oferecendo serviços de acompanhamento. É extremamente recomendável que você contrate um. Para um grupo de 5 pessoas eles cobram cerca de 100 soles. Se você não é estudioso de Machu Picchu eles conseguem te passar algumas informações importantes sobre o lugar. O que antes era só uma pedra, com o guia você descobre que lá rolavam sacrifícios ou surubas, dependendo no ponto de vista apresentado.
Cada guia começa por um lugar, então fica difícil estabelecer algum ponto aqui. Simplesmente curta a energia do lugar e preste atenção nas explicações do guia. Vocês irão passear por cerca de duas horas por alguns lugares fantásticos com vistas maravilhosas e vai ficar se perguntando como os caras conseguiram construir tudo aquilo há 500 anos atrás. Depois de conhecer os principais pontos, colocar a mão nas pedras que você não pode colocar a mão, passar por cavernas, escorregar em algumas escadas, beber água onde você não deveria tomar e entender apenas uma parte das explicações daquele espanhol carregado, o guia vai te deixar perto de onde ficam as lhamas e a entrada da trilha para Waynapicchu. Descance um pouco perto das lhamas e aproveite para tirar ótimas fotos com elas. Todas são mansas apesar dos boatos que elas cospem em você. Assim que você estiver preparado, vá para a portaria de Waynapicchu, deixe seu nome, o horário que entrou, número do passaporte e nacionalidade em um caderno de controle que fica com o porteiro, mostre seu carimbo de Waynnapichu no ingresso do parque e se prepare para uma das maiores subidas da sua vida.
A trilha começa light. Mas não se engane, ela vai piorar. Você vai andar mais ou menos uma hora e meia até chegar lá em cima com um ritmo bom. Não corra, isso só vai piorar as coisas. Pare para descansar quando não der mais. Quando você achar que chegar até ali está bom, persista! Você está chegando. Você vai saber que chegou quando chegar em uma esca com degrais minúsculos, os quais você precisará passar de lado dependendo do tamanho do seu pé. Aí é só curtição. Lá de cima Machu Picchu parece uma maquete e como vocês ainda não sabem, ali é como uma continuação de Machu Picchu com mais algumas casinhas, vielas, passagens e túneis. Passe por alguns túneis, é bem legal. Eles são todos bens estreitos e é uma aventura a parte passar por eles. De qualquer maneira, sugiro que você suba até o topo de Waynapicchu onde só há pedras e dá visão para todas montanhas ao redor. Ela não é a montanha mais alta, mas a capacidade dos caras de montar tudo aquilo lá em cima é impressionante. Fique um bom tempo aí. Reflita sobre a vida, curta um papo sossegado com os amigos e tire bastante fotos. Aí em cima você vai lembrar que não tinha nenhuma plaquinha avisando que é preciso de preparo, equipamento adequado ou qualquer coisa. Se alguém cair da pedra que você está, já era! Se alguém escorrega da escada na entrada de Waynnapichu, já era! Lá é cada um por si. Qualquer pisada na bola, você ja era. Por pouco um cara não caiu lá de cima quando estávamos nas pedras. Enfim, uma hora você esquece disso e repara que está em um lugar maravilhoso e mágico.
Sua noção de tempo é completamente afetada nesse lugar. Você acha que já passou o dia inteiro, mas ainda são 11h. Aproveite a sensação e o passeio em Waynnapichu antes de descer, se quiser coma lá em cima sem se esquecer de recolher seu lixo. Se você ver lixo o que é muito difícil, recolha e colabore com a preservação do lugar. Para descer a trilha novamente abuse dos cabos de aço, principalmente, se o caminho estiver molhado. Para você cair e levar mais uns cinco gringos com você é balela. Chegando lá embaixo, assine o caderno novamente para dizer que você voltou e não morreu lá em cima. Você tem o resto do dia para aproveitar Machu Picchu, caminhe tire suas fotos e aproveite. Se você quiser almoçar no restaurante lá fora vai ter que pagar US$ 33 (caro demais), por isso é melhor levar comida e comer só quando voltar para Aguas Calientes. Como o Parque fecha às 18h, procure chegar um pouco antes na fila do ônibus e volte para Aguas Calientes para comer e pegar o trem de volta para Cuzco. Pronto! Você conhecer o Machu Picchu! Para voltar para Cuzco faça exatamente o mesmo caminho que fez para ir, sem erro.
De volta a Cuzco
Se você já fez Machu Picchu, Cuzco oferece outras opções turísticas interessantes. Você pode ir conhecer outras ruínas em Pisac, fazer o city tour, pular de bungee jump, curtir mais balada, enfim... opções não faltam. Informe-se, aproveite e seja feliz.
Coapacabana e Isla del Sol - Bolívia
Um dia antes de sair de Cuzco vá até o terminal para comprar passagens para o próximo destino. Geralmente, as pessoas costumam ir para Puno (PER) antes de ir para Copacabana (BOL). Segundo relatos, Puno é dispensável por isso decidimos ir direto para Copacabana. Em Puno tem as ilhas flutuantes e a Ilha de Uros que dizem que é lindo, se você for para lá não vou pode ajudar porque eu pulei essa parte por causa do meu timing. Enfim, compre passagens pela Tour Peru por ser a mais confiável e possuir um ônibus bacana. Não acredite se te falarem que fazem o trajeto direto para lá, obrigatoriamente você vai ter que trocar de ônibus em Puno. Escolha um "Bus Cama" que é espaçoso e possui um poltrona confortável. Se não me engano, custa 60 soles (40 soles até Puno e mais 20 até Copacabana). Você vai sair umas 19h de Cuzco e chegar em Copacabana às 13h. Prepare seu iPod.
Na fronteira do Peru com a Bolívia, você vai precisar passar pela migração dos dois países. No Peru você passará por dois escritórios (Polícia Federal e Migração) e andar cerca de 300m onde o ônibus vai estar esperando por você próxima ao escritório de migração da Bolívia. No escritório da Bolívia, se você tiver sorte, vai pegar o soldado que fica carimbando os passaportes e tirando sarro de todas nacionalidades. Eu vi ele perguntando para ingleses com o maior tom de ironia "O que esta hacienda aquí?" para um inglês, ou "vamos pegar vocês na Copa" para meu amigo brasileiro, ou falando obrigado em chinês para chineses. Para mim ele perguntou "Estas bien?" e eu fui no "Muy bien", aí ele lançou um "Seguro?" e eu acabei com um "Seguro". Mais um detalhe importante! Antes de entrar na Bolívia, o ônibus para em uma casa de câmbio para você trocar seu dinheiro. Não seja idiota de trocar todo seu dinheiro lá, é uma armadilha de turista com uma cotação fora do real. Troque apeans alguns soles que você não irá mais utilizar para não ficar liso e troque o resto em Copacabana.
Chegando em Copacabana, mais uma vez, você encontrará diversas agências de turismo tentando te empurrar passeios para Isla del Sol e a Isla de la Luna. O fato é que quanto mais próximo do cais, menor o preço das passagens. Nós pagamos 10 soles pela ida em uma agência que fica na rua principal da cidade, bem próxima do cais. Nessa mesma rua existem uns restaurantes bons, bonitos e baratos que você pode almoçar antes de pegar o barco. Uma refeição custa 30 Bs. (R$ 7,50) e inclui entrada, prato principal e sobremesa. Provavelmente, você será apresentado a Paceña, a cerveja boliviana. Sinceramente, a Paceña é uma bosta. Perde de longe para a Cusqueña do Peru. Mas amigo, tá no inferno abraça o capeta. Na medida do possível, prefira Huyani ou Bock que são bolivianas também, mas menos amargas. Depois do almoço, não encontramos muitas opções do que fazer em Copacabana e como era quase hora de ir para Isla del Sol, fomos para o barco.
O barco é daqueles que tem dois andares e eles entuxam gente até não caber mais. Tipo um navio de refugiados. Se você for em cima, passe protetor, use chapéu e separe uma blusa porque o passeio começa a ficar gelado, principalmente, se você ficar na frente do banco. Quem foi embaixo conta com os vidros de proteção, mas perdem no quesito fotografias tiradas. Para economizar na gasolina, os caras colocam o barco só com um motor e o passeio chega a demorar duas horas. Muitas vezes são adolescentes que pilotam os barcos, não se assustem, eles fazem isso todo dia. Só não espere muito profissionalismo. A maioria das pessoas passa apenas algumas horas na Isla del Sol e volta, não caia nessa. Isla del Sol é um dos lugares mais incríveis de toda viagem. Durma pelo menos um dia lá. A ilha é separada entre Norte e Sul. O Sul é a parte mais visitada e com mais infra-estrutura com lindas vistas de montanhas, já o Norte é mais remoto com praias paradisíacas. Você pode chegar ao Norte pegando mais um barco no Sul ou fazendo uma trilha de 4h. Não conhecemos o Norte devido ao timing, mas encontramos amigos que fizeram mais tarde e falam que é um lugar incrível. Se ficar mais tempo, faça a trilha. Ao desembarcar na Isla del Sol você será abordado por diversas crianças, elas se oferecem a carregar suas malas ou alguns possuem burros que levam suas malas para cima. As crianças serão seus guias na Isla, peça para te levarem para algum hostal lá em cima, não fique nos mais baixos para não perder alguns hostels com vistas fabulosas. Não espere serviço cinco estrelas. Se não me engano, se você quiser se gabar tem um Hotel lá em cima chamado Mirador del Inka. Recomendo que você aposte nos hostels que são simples, mas charmosos. Lembre-se que tudo é barato por lá e uma diária não é mais que 35 Bs.
Decidida a hospedagem, não espere sair para fazer muitas coisas. Sente e fique apreciando o Lago Titicaca e as Cordilheiras com montes nevados ao fundo. Peça um vinho. Peça refeição horas antes de ficar com fome, sempre pergunte o horário de atendimento do restaurante. Ouça os burros relinchar em uma paisagem pacífica. Não há muito o que fazer na ilha, apenas apreciar a natureza em todo seu esplendôr, relaxar e refletir sobre a vida. Chegando a noite, você pode pegar uma lanterna e dar uma volta no povoado. Se esconda atrás de algum muro e quando passar algum turista finja que é um fantasma ou dê um susto nele. Isso irá te garantir boas risadas. Brincadeiras a parte, encontre novos restaurantes no povoado. Pelo que me lembro "Los Faroles" é um legal que fica no fim da subida do povoado. Fique apenas atendo ao horário porque às 22h a ilha inteira está fechada e você não vai encontrar nenhum posto de conveniência para te atender depois desse horário. Depois da janta e do passeio, vá dormir por que no próximo dia você pode ir para o Norte bem cedo de trilha e voltar a tarde de barco tanto para o lado Sul quanto de volta para Copacabana. Nós passamos o outro dia inteiro na ilha, no mesmo hostel que tinha uma área de convivência com uma vista incrível e pegamos o barco de volta às 15h30 (30 Bs.), no caminho eles param em uma ilha flutuante (imposto de 1 Bs para pisar na ilha) que não tem nada demais, a não ser que você queira ver o pescador matando trutas in real-time para fritá-las na hora.
Ao voltar para Copacabana, suba a rua principal onde ficam os ônibus e compre uma passagem para La Paz por cerca de (60 Bs). Se não me engano o ônibus sai as 19h e chega em La Paz aproximadamente às 23h. O caminho tem umas paisagens fantásticas (câmeras a mão) com picos nevados e povoados remotos no meio do nada. Na época, era engraçado ver propaganda eleitoral (Toledo 2011! Primeiro los que tienem menos) em casinhas, literalmente, no meio do nada. Como desde o Peru estávamos acostumados a ver casas sem reboco (oportunidade de negócio por lá), imaginamos que os políticos ofereciam pintar a casa das pessoas em troca dos seus nomes nas paredes. Seja lá quais forem os motivos, você vai chegar na rodoviária de La Paz e precisa encontrar uma Jukebox que fica ao lado do posto policial lá dentro. Por 1 Boliviano você pode ver um clipe do Rei Roberto Carlos cantando Jesus Cristo em espanhol. Convoque seus amigos e cantem a música abraçados. Veja como outras pessoas da Bolícia cantam com você também. Não perca oportunidade de filmar isso.
La Paz - Bolívia
Minha primeira impressão de La Paz é que é um grande favelão. A Rocinha parece um brinquedinho perto de La Paz. A cidade é tipo é um grande buraco com casas sem rebocos nos morros e o centro, um pouco mais arrumado, como polo econômico da cidade com lojas, hotéis, restaurantes e tudo que uma cidade grande tem. O principal reduto turístico de La Paz é a Calle Sagarnaga e é por lá que você tem que ficar. Ficamos no Hostel Maya na parte de cima da rua e o hostel fica dentro de um centro comercial. Recomendo. Existe outro hostel que ficamos quando voltamos do Uyuni que chama Hostel Republica que é um hostel de primeira classe. Charmoso, bonito e com um bom serviço, mas fica um pouco mais longe da Rua Sagarnaga. Na Sagarnaga você irá encontrar as agências de viagem, restaurantes e milhares de lojas com coisas típicas da Bolívia. se você tem tempo e gosta de aventura, pode fazer a Death Road de bike por cerca de 500 Bs. Não fizemos esse passeio, mas segundos fontes confiáveis você desce de cerca de 62km de bike em uma das estradas mais perigosas do mundo. O negócio não tem acostamento e fica a beira de um abismo. Cagaço total. Não fizemos, mas quem fez não se arrepende e faria de novo. Em La Paz você também encontra as agências que vendem pacotes para conhecer o Salar de Uyuni. Aproveite para pesquisas preços. Nós fechamos com a Mania Tours que nos prestou um atendimento acima da média, mas chegando no Uyuni não cumpriu o que havia nos prometido.
O passeio de 3 dias e 2 noites no Salar de Uyuni custa US$ 99. No pacote está incluído 3 refeições por dia (excluindo o primeiro café da manhã e a janta do último dia), o jeep para seis pessoas com guia bilingue (mentira), mas isso não costuma ser um problema para brasileiros, hospedagem e só. As agências costumam vender e reservar os ônibus que saem de La Paz para o Uyuni também com uma taxa em cima pela reserva. Passagem de ida e volta custa cerca de 320 Bolivianos. Você pode ir para rodoviária verificar isso também. O importante aqui é ficar atento as promessas das agências. Você, provavelmente, não ficará em um quarto privativo com sua namorada (não existem esses quartos no Salar) e não existem carros com ar-condicionado também. Essas foram algumas armadilhas que caímos ou ouvimos de outras pessoas que estavam fazendo a viagem. Mais detalhes eu conto pela frente, mas esses são itens importantes que vocês devem levar em consideração na hora que forem fechar o pacote. Afinal, o preço não varia tanto se você comprar em La Paz ou no próprio Uyuni. Não vou falar de outros pacotes que eles vendem porque eu não sei e não poderei ajudá-los.
Depois de escolher sua agência, saia para comer. Existem uns restaurantes bacanas na Calle Sagarnaga e nas suas afluentes e tudo é muito barato. Aproveite. Quando estiver mais a noite, recomendo que você conheça o Mongo´s. Ele fica em uma área mais nobre da cidade onde tudo é muito bonito, nem parece a La Paz que você viu até agora. Como é um bar/balada para gringos lá tem festa todos dias da semana e o pessoal que fica nos hostels mais badalados caem para lá. De segunda rola um eletrônico e na terça Salsa. Fique esperto porque se chegar às 22h já não tem mais onde sentar. Se gostar de putaria, vá para o Katana´s, um puteiro com uma fachada que remete aos tempos egípcios por algum motivo. Meninas ficam dançando no palco a noite inteira e tem cada pedaço de carne que você não acredita. O problema é que o programa custa US$ 100 por 25 minutos o que desmotiva geral. Se você preferir pode pagar uma cerveja (80 Bs) ou um whisky com energético (120 Bs) para ficar se roçando nas meninas. Para tirar as meninas lá de dentro você tem que pagar 400 Bs. para casa, sem contar seu esquema com a menina. Existem opções mais baratas, se informe com taxistas. Puteiro na Bolívia se chama boliche.